terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

CATOLICISMO - Aversão à modernidade?

Sem dúvida, uma das notícias mais chocantes dos últimos dias foi a renúncia do Papa Bento XVI, acontecimento inédito na Igreja Católica e com precedente de mais de 600 anos.
Sou católica, nascida em família tradicionalmente católica, embora mantenha particularidades individuais. Vou pouco à igreja, quase nunca assisto a missas, mas rezo sempre pedindo proteção a mim e a minha família. Sofri na pele a inapetência da Igreja Católica em aceitar determinadas circunstâncias da vida moderna. Divorciada, casei-me novamente com Carlos, com quem vivi esplêndidamente por 25 anos até sua morte, prematura por sinal. Os princípios católicos não reconhecem  um segundo casamento de divorciados, Não se obtém perdão pela confissão e não se recebem sacramentos. Vive-se sempre em pecado, por mais pura, feliz e abençoada que seja a segunda união. Não que isso me incomode ou à grande maioria dos divorciados em segundas núpcias. Estou apenas apontando uma dificuldade, até simples, de a Igreja Católica lidar com a modernidade.
Pois bem. Quando esse papa, da corrente hiperconservadora, renunciou, fiquei contente. Quem sabe agora, com o próximo, essas questões - inclusive uma das mais importantes, a aceitação e a orientação do uso da camisinha nas relações sexuais em face da epidemia de Aids, ainda sem cura, que assola a humanidade, principalmente os jovens - sejam abordadas de uma forma madura e prática.
O contentamento, contudo, durou pouco. Pelo que tenho lido e pesquisado, a renúncia ocorreu em virtude de litígio entre duas correntes dentro do Vaticano, que impossibilitam o real exercício da autoridade papal. E como Bento XVI está velho e fraco, não tem energia suficiente para enfrentar e pacificar a disputa. Prefere sair  deixando o lugar para outro mais forte. É claro que não abre mão de influir na escolha do novo papa. 
Mas quais seriam aquelas duas correntes? Dirão vocês, embate entre a ala conservadora e a ala progressista. Quem dera,  ledo engano. Nos últimos papados, a partir principalmente de João Paulo II, a ala progressista do alto clero foi erradicada, cardeais de grande projeção, em todo o mundo, como os nossos Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Aloisio Lorscheider ficaram velhos, aposentaram-se ou morreram e foram substituídos por outros, conservadores, de tal forma que hoje só existe uma orientação no alto clero católico.  Então a disputa atual dá-se entre as alas conservadora ... e ultraconservadora  Bem desanimador, não? Se questões relativamente simples como a segunda ou terceira união de divorciados e o uso da camisinha não foram abordadas nesses anos e provavelmente nem o serão nos próximos, o que se dirá das situações mais complexas, como a união e o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o castigo exemplar que se deveria dar a padres pedófilos? São aspectos do momento histórico que não podem deixar de ser discutidos e posicionados pela Igreja Católica moderna, seja quem for o novo papa. E pelo andar da carruagem, as perspectivas não são boas. A orientação conservadora de simplesmente ignorar essas questões ditas materiais, cuidando tão somente da parte espiritual, deve predominar. Pelo menos é a minha opinião.
Gostaria muito de ouvir aqueles que me lêem. Concordam ou não comigo?



domingo, 13 de janeiro de 2013

SURPRESAS DA IDADE - Algumas boas e Outras nem tanto

Pois é, com o paasar dos anos, novidades vão aparecendo, algumas boas, até ótimas, como o nascimento de meu neto, por exemplo. Minhas viagens, algumas já relatadas neste blog. Outras novidades, nem tanto, mas vamos aprendendo a lidar com tudo. Essa é a verdadeira experiência de vida.
Há cerca de dois anos, aproximadamente, meus problemas digestivos começaram a dar sinais de piora. Sempre os tive, desde mocinha, mas nunca liguei muito. Achei que a causa era meu remédio para baixar o colesterol, que foi trocado algumas vezes pela minha médica. Mas os sintomas foram se agravando, até que há cerca de uns tres meses, apareceram sérias dores abdominais, acompanhadas de diarréias periódicas, excesso de gases e enjoos. A princípio pensei em virose, mas como os sintomas se repetiam sistematicamente, marquei consulta com um gastroenterologista, situação que vinha adiando por ter receio dos exames que teria de fazer. E também do diagnóstico, é claro. Pensei até em câncer, é a primeira coisa que nos vem à cabeça.
Maria Christina, minha filha, que herdou o ¨feeling¨ médico da família, inclusive a capacidade diagnóstica - ela não estudou medicina porque desmaia só de ouvir falar em doença - após uma rápida pesquisa na internet, falou: ¨hum isto está parecendo intolerância à lactose¨. Não lhe dei crédito, imaginem, de família mineira, praticamente nasci comendo queijo.
Pois bem. Após vários exames, inclusive o tal teste de intolerância à lactose, depois do qual passei muito mal, o médico gastro me disse o que minha filha já tinha diagnosticado Tenho intolerância à lactose, em grau grave. Meu organismo não produz a lactase, enzima intestinal que sintetiza a lactose que é o açúcar do leite e derivados. Resultado: estou proibida de ingerir leite, queijos, principalmente os frescos - os que mais gosto - creme de leite, molho branco, chantilly, requeijão e mil outros alimentos que contêm leite em sua composição. Aliás, no Brasil, tudo industrializado se faz com leite em pó, até torrada. E os remédios são americanos, você tem que importar ou comprar de quem importa, Fácil não?
O ideal é fazer a dieta, o que me levou a um site sensacional - www.semlactose.com.br - com página no facebook. Lá obtive ótimas dicas, algumas das quais passo a quem sentir os mesmos sintomas. 
O ¨Lactaid Fast Act¨ que é a lactase que se deve tomar quando se vai comer algo que contenha leite me dá enjoo e prende o intestino. Vi no site que outras pessoas sentem a mesma coisa. Portanto, só tomo quando não tenho saída. Leite sem lactose - como o Piracanjuba - ou com 90% menos, para quem não gosta de leite de soja, como eu, acha-se em bons supermercados, como o Walmart, Sta. Luzia, St. Marché, isto em São Paulo. O creme de Tofu, original, substitui razoavelmente o requeijão, a gente acostuma. Há outos sabores também. Não é difícil encontrar. 
Para quem está sentindo uma falta enorme do queijo, uma boa dica são os queijos da marca Balkis. No site deles, há uma tabela da percentagem de lactose em cada tipo de quejo. Alguns têm 0%. Mesmo assim, recomendo comer com moderação. Vi até que há pão de queijo sem lactose, da marca Pif Paf, mas ainda não consegui comprar. É difícil de achar. Mas informo assim que encontrar. 
Queijos que contêm fungos, como gorgonzola, brie, camembert, etc, não contêm lactose porque o fungo a destroi. A manteiga, feita apenas da gordura do leite, também está livre. De qualquer forma, leite e seus derivados, mesmo sem ou com baixíssimo teor de lactose, devem ser ingeridos com parcimônia. Esta é a minha receita de bemestar.
Espero ter contribuído para o esclarecimento de muitas dúvidas, como vi no site.
No próximo post, aguardem a referência a um ótimo momento que está ¨pintando¨ para as quatro garotas, maduras, que viajaram juntas à Rússia, conforme já relatado neste blog. É o Leste Europeu, tchan tchan tchan tchan...




sábado, 12 de maio de 2012

LEMBRANÇAS...

Interrompo o relato de minhas/nossas aventuras americanas, para partilhar com vocês uma lembrança que de tão boa, tornou-se inesquecível para mim. Não sou de viver de lembranças do passado, como inúmeras pessoas da minha idade. Minha cabeça está no presente e voltada para o futuro. Mas, ontem me dei um presente de dia das mães que despertou a tal recordação, meio adormecida em minha mente.
Resolvi dar um break em minha rotina diária acelerada e conceder-me umas duas horas em um spa, com direito a tratamento facial, corporal , sauna, hidromassagem, etc.
Foi quando entrei na enorme banheira de hidromassagem, cheia de pétalas de rosa e espuma para relaxar, é que me veio a gostosa lembrança.  Aconteceu em nossa última viagem à Europa em família. Carlos, meu marido, ainda era vivo, Maria Christina, minha filha mais nova tinha apenas saído da adolescência e tínhamos ido à Itália para atender um cliente, italiano, mas que pretendia transferir-se para o Brasil. Após terminar o serviço, fizemos um passeio, sempre de carro porque ele adorava dirigir, por alguns países, inclusive a Alemanha, mas saindo de Amsterdan, na Holanda.
Em geral, rodávamos centenas de kilometros por dia, sempre parando em lugares atrativos. Ah, Carlos era incansável ao volante. Dessa vez, passamos a maior parte do dia em Dusseldorf, porque lá estava acontecendo um festival de moda - Dusseldorf é o polo de moda da Alemanha - com direito a desfiles de grandes grifes ao ar livre, com música ao vivo, uma maravilha, mas tudo em meio a multidões de pessoas. Detesto multidões, mas não havia o que fazer, o festival era imperdível. À  noitinha, Carlos resolveu ir embora, mesmo porque, disse ele, não haveria hotel disponível na cidade,por causa do festival. Não acreditei, mas como discurtir era inútil, prosseguimos viagem com a promessa de parar na próxima cidade. Chegamos, assim, a Dortmund, um lugar feio, cidade comum,  grande polo industrial. Procuramos um hotel da rede Accor e logo nos deparamos com um Mercure, de muito boa aparência. No quarto, despenquei na cama para não mais levantar, estava exausta. E recusei o convite de Carlos e Maria Christina para sair para jantar. Disse-lhes que iria para a piscina. Dortmund é um lugar frio, apesar  de ser verão e na chegada soube que no hotel havia uma piscina de água quente. Eles sairam e eu desci. Deparei-me com uma enorme piscina borbulhante e aquecida, cheia de jatos de hidromassagem em um solarium de vidro com  muito verde. Uma  beleza de arquitetura. Resultado, fiquei naquela água deliciosamente massageante por quase duas horas, sozinha, porque lá não havia ninguém, só relaxando e meditando. Saí revigorada, o cansaço se fora. Foi uma das experiências mais gratificantes que já tive, dado meu estado pessoal naquele momento.
C'est la vie. Por vezes passamos por experiências glamourosas, luxuosas mesmo, que ficam em nossa mente por serem marcantes. Mas outras vezes a vida nos coloca em situações inusitadas, sinples e inesperadas, precisamente aquelas de que necessitamos no momento. E tal acontecimento vira uma recordação deliciosa e inesquecível. Assim foi aquele tempo que passei na piscina borbulhante em Dortmund, cidade fria e sem graça da Alemanha.

domingo, 22 de abril de 2012

AVENTURAS AMERICANAS: ORLANDO V - Ultimo Dia

Era chegado o dia de Helena voltar ao Brasil, pois aqui havia deixado filhinho de dois anos com o maridão. Uma sexta-feira. E era também o nosso, meu e de Maria Christina, último dia em Orlando, pois no sábado seguiríamos para Miami, de carro. Tratamos um transfer para levar Helena ao aeroporto, porque seu avião partindo às 7 horas, deveria comparecer à companhia a partir das 5 horas, muito cedo. E assim foi feito, o transfer chegou ao hotel às 4.15 da manhã e lá se foi Helena, deixando um aperto no coração, após nove dias de deliciosos passeios, compras, muitas muitas risadas e situações inusitadas.
Depois de dormirmos mais um pouco, resolvemos, Maria Christina e eu, procurar pela loja Ross da qual já ouvíramos falar bastante. Através do GPS, imprescindível como já disse em viagens internacionais,  conseguimos localizar uma delas - porque existem várias dessas lojas - aliás, bem perto do enorme Outlet Premium onde compráramos uma enormidade de coisas, das quais já falei em posts anteriores.
Foi o trabalho de entrar e em seguida sair. Um horror. Imensa, quase a perder de vista, parece um grande brechó, tudo pendurado em araras, não por tamanho, quantidade, espécie ou mesmo marca, mas misturado, muita coisa no chão, toneladas de pessoas lá dentro e filas imensas nos caixas, opressivo mesmo. Ou seja. Tudo o que mais detesto. Olhamos uma para a outra e sem dizer nada, saímos. Um alívio.
Na saída, topamos com uma moça jovem, de boa aparência, que nos perguntou em inglês se não precisávamos de mala com bom preço. Maria Christina respondeu e se interessou. Então a moça, em português, "vocês são do Brasil?" Era uma gaúcha que morava há 10 anos em Orlando, trabalhando nessa loja de malas ao lado da Ross, para onde nos dirigimos. Achamos uma grande sacola com rodinhas e puxador, do jeito que queríamos, uma graça, preta com bolas cor-de-rosa, bem ao estilo de Maria Christina, por US$ 19. E compramos também um cadeado daqueles de segredo. Pelo menos valeu a ida à Ross.
Após um ótimo almoço no Red Lobster, ali perto - uma delícia, comi camarões de cinco formas diferentes, hum hum - decidimos dar uma chegada ao Outlet Premium que estava tão perto, porque no dia de nossas compras, Helena lá perdera uma sacola cheia de brinquedos para o Enzo. Só descobriu a perda quando chegamos ao hotel e ficara inconsolável. Além do prejuízo, eram os brinquedos de seu filho. Pois bem, resolvemos ir até o Outlet para verificar se por acaso tinham encontrado a tal sacola. Nos dirigimos à Administração e Maria Christina contou a história para o atendente. Ele discou um número pelo telefone e o passou a ela dizendo-lhe para falar com o pessoal da segurança que cuidava dessa área. E olha só que coincidência e que sorte. O homem que atendeu ao telefonema, era justamente o que tinha achado a sacola. Ele a descreveu bem como aos brinquedos que tinha dentro, dizendo que estava com ele e que poderíamos ir buscá-la, junto à área de alimentação. Nem acreditamos, estava tudo lá, não faltava nada. Mas isso é muito comum nos Estados Unidos, as coisas que são perdidas, são guardadas para serem entregues a quem as reclamar. Se fosse no Brasil, ... bem, sem comentários. Quando falamos com Helena à noite,  inclusive para saber se tinha chegado bem e contamos a história, ela  ficou surpresa e feliz da vida. Os brinquedos estavam salvos.
 Já que estávamos no Outlet e porque ninguém é de ferro, aproveitamos para fazer umas últimas compras que por sinal não foram poucas. E voltamos ao hotel para descansar e fazer as malas, porque no dia seguinte, enfrentaríamos uma viagem um tanto longa e cansativa - quase cinco horas de carro de Orlando a Miami.
Nos próximos posts, nossas aventuras, agora a duas, em Miami. Não percam.

quarta-feira, 21 de março de 2012

AVENTURAS AMERICANAS: ORLANDO IV - Parques Disney

Minhas impressões sobre os Parques da Disney, os mais conhecidos e frequentados pelos brasileiros. em Orlando. São ao todo quatro, Holywood Studios, Animal Kingdom, Epcot Center e Magic Kingdom, além de Downtown Disney, local das lojas e restaurantes sem necessidade de ingresso. O que mais gostei? 
Do Holywood Studios, sem dúvida os musicais, como a Bela e a Fera, a Pequena Sereia e os espetáculos em 3D, tais como os jogos da Toy Story.em que você atira nos alvos que pulam à sua frente, fazendo pontos. No final, toda orgulhosa dos meus 36.000 pontos, fui gozada por Helena e Maria Christina que tinham feito mais de 100.000 pontos cada uma. 
 Para quem curte fortes emoções, a montanha russa do Aero Smith, com  subidas, quedas e curvas radicais, em altíssima velocidade, tudo no escuro ao som das músicas da banda, segundo Maria Christina, a única corajosa a ir e a gostar. Queria até ir de novo, só que não deu tempo. O simulador do Star Wars, foguete dirigido pelos dois robôs, para quem gosta, é o máximo. Tive o desprazer de sair enjoada e custei a melhorar. 
Adorei ver o Dart Vader - sou fã - e os guardas estelares, aqueles de branco, em shows ao vivo com participação de crianças. Imperdível também o show dos stunts, que reproduzem cenas do filme Os caçadores da Arca Perdida, primeiro da série Indiana Jones - a da bola que rola, do começo do filme, a do mercado, em que ele atira no matador e a do avião em que eles põem em cena um avião antigo com fogo e bombas para todos os lados. Tudo muito bem feito e com participação da platéia como figurantes.
No Animal Kingdom, há um safari  em que a bordo de um jeep você se depara com animais diversos, ao vivo, leões, tigres, rinocerontes, hipopótamos, etc., muito interessante. Mas o mais lindo de todos os shows é o musical do Rei Leão, um primor em termos de vestimentas, músicas, efeitos especiais e cenários magníficos. As demais atrações nada têm de especial.
O interessante do Epcot Center são os minipaíses, tais como Mexico, Noruega, Italia, Canada, Inglaterra, França e outros - não tem Brasil - com cenários bem feitos e pessoas falando a língua do país. Bem bonito.
Também no Epcot Center há uma atração que simula uma viagem espacial até Marte, muito violenta. Quem enjoa não vá. Helena saiu de lá completamente zonza e enjoada, ficou deitada um tempão para passar. Já Maria Christina, com estômago de ferro, só sentiu o excesso de pressão sobre a cabeça. Claro que não fui e não me arrependi.
Por útimo o Magic Kingdom, que é reproduzido também na Eurodisney e que muitos devem conhecer. O maiior e para meu gosto, o melhor, com diversas atrações interessantes, entre elas as "parades" com os personagens dos filmes e os musicais do MIckey, Minnie, Pato Donald, muitos dançarinos e efeitos especiais, apresentados ao ar livre, em frente ao castelo da Cinderela. Lindo de morrer. Criei até coragem de ir na Splash Mountain, que acaba em uma enorme queda vertical na água. Molha bastante mas é emocionante.
Descrever tudo em palavras é humanamente impossível. Espero aqui ter demonstrado um pouquinho do que lá se experimenta.
 Confesso que não tinha muita vontade de ir aos parques - não são da minha preferência e já tinha ido à Eurodisney tres vezes. Mas, confesso também que as atrações de Orlando são imperdíveis, incomparáveis, ao menos uma vez na vida vale a pena conhecer. A diversão é garantida.
No próximo post, nosso passeio em Miami.

quinta-feira, 8 de março de 2012

AVENTURAS AMERICANAS; ORLANDO III - Comer e ...Comprar Comprar Comprar

São dois assuntos de interesse de quase todos. O primeiro interessa não somente aos "gourmets" e "gourmands", mas também àqueles que, em viagem, querem conhecer lugares diferentes, com boa ou razoável comida sem precisar lavar pratos para pagar a conta. Já o segundo assunto - compras - bem... pelo menos às mulheres, interessa a todas, tenho certeza. Em geral, os  homens são menos pacientes, querem comprar tudo em um só lugar, para acabar logo. Mas aí vão algumas dicas também para eles.
A alimentação americana, todos sabem, é altamente calórica e gordurosa. Depois de alguns dias, enjoa. Abstraindo-se esse pormenor, há bons restaurantes em Orlando, com ótimo preço - uma boa refeição para tres pessoas saía em média por US$ 60 -  comida gostosa, em geral pertencentes a grandes cadeias. Cito alguns:  Olive Garden, internacional, boas massas, saladas fresquíssimas e crocantes, pratos para duas pessoas de apetite médio. Ihop, especializado em pancakes e wafles, tanto salgados quanto doces, bom. Red Lobster, de camarões e lagostas, como diz o nome, refinado, bom atendimento, pratos grandes, uma delicida. Bubba Gump, também de coisas do mar, mais temático, parece um navio pirata na parte interna. Chamou-me a atenção uma bargirl, muito jovem, que preparava coquetéis coloridos e enfeitados em poucos segundos. Um espanto. Angus Steakhouse, de carnes vermelhas, minha rib estava com muita gordura, mas o hamburguer da Maria Christina estava sensacional, segundo ela. Cheesecake Factory, especializado na torta que dá nome ao lugar, feita de todos os sabores possíveis e imagináveis e servida em grandes pedaços -  equivalentes a uma refeição - em geral com creme chantilly e sorvete. Ótimo para regimes. Tony Romans, com bons churrascos.. Para breakfast, o Dennys que serve delícias, mas como já disse, muita fritura e muito ovo. Nos primeiros dias, tudo é ótimo, mas após algum tempo, o excesso de gordura torna a comida enjoativa para nosso paladar.
Quanto às compras, Orlando é realmente um paraíso. Dois outlets, aliás do mesmo grupo, Premium, merecem uma visita, principalmente o da International Drive, imenso, não dá para percorrer em um dia. Os shoppingis, Florida Mall e at Millenia também são maravilhosos. Os preços das boas lojas, como Armani Exchange, US Polo, JCPenney, Levis, Tommy Hilfinger, Guess, Juicy Couture, Abercrombie, Aeropostale e outras, são ridículos em comparação aos caríssimos preços no Brasil. Camisetas Armani, masculinas e femininas, lindas, por US$ 15 a 19. Moletons Adidas, em torno de US$ 30, mas se levasse dois, o segundo saía pela metade do preço. Ou seja, US$ 45 por dois moletons Adidas quentes e lindos. Para quem gosta de camisa polo, dirija-se  à Tommy Hilfinger e à US Polo.Grande variedade e ótimos preços. 
Outra loja imperdível é a Forever 21, no Florida Mall e também no at Millenia. Imensa, tem de tudo e com paciência, encontram-se itens com preços inacreditáveis. Comprei uma botinha de inverno marron, baixinha e forrada de pele, uma lindeza, por US$ 15. 
Mesmo nas lojas Disney espalhadas por todos o cantos, os preço não são altos. Roupas infantis e brinquedos são boas opções.
Enfim, se forem para Orlando reservem uma parte do dinheiro para as compras. Vale a pena. Aí você percebe o quanto o custo de vida no Brasil está um absurdo. Não sei como o brasileiro consegue sobreviver com o que ganha. Realmente faz milagre.
Não percam o próximo capítulo, sobre os parques Disney.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

AVENTURAS AMERICANAS: ORLANDO II - Universal Studios

Depois de buscarmos Helena no aeroporto às 22h, chegamos ao hotel, exaustas, mais de meia-noite e no dia seguinte deveríamos acordar cedo para ir à Universal Studios - Island of Adventures, o primeiro parque e o mais esperado porque nele está o complexo de Harry Potter, do qual somos fãs incondicionais, lemos todos os livros e assistimos a todos os filmes. Portanto, a expectativa era grande.
Após um lauto breakfast no hotel - Helena não fica, de jeito nenhum, sem café da manhã sob pena de um pitoresco mau-humor - aliás, é exatamente o que acontece comigo se não almoço até determinado horário, portanto, genes familiares - rumamos para o parque. Tudo muito bem organizado, a começar pelo estacionamento, pago é claro, mas amplo, bem sinalizado, com atendentes a orientar sobre o local de parada. 
Logo na entrada, como área comum aos dois parques, "citiwalk", uma cidade cenográfica com diversas lojas, restaurantes,cafés, bares, inclusive com shows noturnos e um grandioso Hard Rock Cafe. Um detalhe interessante, principalmente na Universal Studios e não tanto na Disney,é a grande quantidade de pessoas idosas, umas bem idosas até, ali trabalhando,na orientação dos estacionamentos, na revista das bolsas, na bilheteria, nas catracas de entrada, nos balcões de informação e mesmo nos brinquedos. 
Nesse primeiro parque, Island of Adventures, dois complexos merecem descrição. No primeiro e mais aguardado, Harry Potter,entra-se em Hogsmead, exatamente como nos filmes,casinhas baixas e cinza com lojinhas temáticas, alguns brinquedos emocionantes, tipo montanha russa e até a cerveja amanteigada,vendida por dois estudantes brasileiros - descobrimos - e que é uma delicia por sinal. Chega-se, por fim, à escola de Hogwarts, um magnífico castelo, também igual ao do filme, onde, ao caminhar, encontramos os quadros que se movem e falam,por efeitos digitais os tres personagens principais em suas aventuras, a mulher gorda que guarda a entrada de Grinfindor, enfim muitos dos detalhes conhecidos dos leitores da obra.Um show. No final, o brinquedo mais emocionante, a simulação de uma partida de quadribol. Não tive coragem de entrar, porque fico tonta e enjoada - além do medão, é claro - mas as meninas foram e adoraram. Recomendo. 
O segundo complexo que merece menção é o do Popeye. Entra-se em uma espécie de balsa inflável e se percorre uma corredeira, com quedas bruscas, curvas em alta velocidade e muitas cachoeiras. É o máximo, mas como resultado saímos ensopadas da cabeça aos pés. Ainda bem que o dia estava quente e na saída, por US$5 entra-se em grupo em um secador de ar quente mas que acaba por secar muito pouco porque a roupa fica encharcada. Meu passaporte quase desmanchou e tive de secá-lo com secador de cabelo, mas mesmo assim ficou um pouco retorcido. Para quem for nesse brinquedo, recomenda-se que vista uma capa de chuva plástica, com capuz e não leve bolsa. Assim mesmo molha, mas é ótimo.
Já o percurso do segundo parque da Universal, visitado em outro dia, parece uma cidade cenográfica como se estivéssemos dentro de um filme, inclusive uma área completa com prédios e praça de Nova York da década de 20. Os principais brinquedos são a montanha russa da Múmia - não fui, mas as meninas gostaram, o simulador dos Simpsons e filmes 3D como o Shrek.Logo na entrada há uma montanha russa altíssima e violenta, mas nem Maria Christina, que gosta de tudo, quis ir. Helena e eu não gostamos de quedas verticais de altura, portanto nem pensar. 
Por fim, um dos que mais gostei na Universal, mas não me lembro se no primeiro ou no segundo parque: o simulador do Homem Aranha, em 3D. Não é só um simulador, o carrinho também anda, escala prédios e gira rápido. É o máximo, os personagens pulam na sua frente,  você sente o calor do fogo, recebe água quando chove, enfim, o melhor de todos para o meu gosto. Muito emocionante e muito bem feito.
Continuem acompanhando nossas aventuras. Não percam os próximos capítulos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

AVENTURAS AMERICANAS: ORLANDO I - Primeiras Peripéciass

No dia 24 de janeiro, embarcamos à noite, Maria Christina, minha filha e eu, rumo a Orlando, Florida, pela American Airlines, com conexão em Miami. Voo bastante agitado - chacoalhou muito - agravado pelas nossas emoções, a minha por encarar uma terra estranha, já que se passaram 40 anos de minha estada por lá. E de Maria Christina, por ainda não conhecer os Estados Unidos. Era seu "début". Minha filha mais velha, Helena, também iria, só que em outro voo, no dia 25, chegando à noite em Orlando. 
Estávamos com tudo reservado e pago, hotel, carro e ingressos para a Disney World e para a Universal Studios. Não haveria tempo hábil para outros parques. 
Chegamos em Miami por volta das 4 horas da manhã, horário local, 3 horas a menos do horário brasileiro. Aeroporto monumental - será que só os nossos são ruins, pequenos e superlotados? - andamos um bocado e tivemos que tomar um shuttle (trem suspenso) para chegar à área de malas e de imigração. Nesta, nos deparamos com um rapaz jovem, bonito e agradável - situação inusitada já que esperava uma recepção hostil à vista do tratamento dispensado pelos consulados americanos na concessão de vistos. Fez as perguntas de praxe, tirou as nossas impressões digitais - de todos os dedos - brincou um pouco com Maria Christina que fala um inglês perfeito - eu nem tanto, só para o gasto - e nos desejou uma ótima estadia. Surpresa e bem impressionada, pegamos nossas malas e aguardamos algumas horas até o voo para Orlando que sairia às 8 horas. 
Após desembarcar em Orlando, por volta das 9 e pouco, aí sim, a minha boa impressão começou a mudar. Tinha reservado um carro do tipo compacto, com GPS - imprescindível para quem vai guiar em lugar estranho -  na empresa Alamo. A atendente,  de origem hispânica e com cara enfesada, disse que nossas malas não caberiam nesse carro, era pequeno. E que ela me daria um "up grade" para um carro maior, mediante um pagamento de "apenas" US$ 200. Achei um absurdo e não aceitei, dizendo que daríamos um jeito. De muito má vontade e com cara mais enfesada ainda, ela nos encaminhou à garagem. Lá chegando, o senhor que nos atendeu, muito gentil, disse que poderíamos escolher qualquer um dentre uns seis modelos diferentes, inclusive SUVs. Escolhi um Toyota Yares, carro sedã médio e ótimo, econômico, macio, fácil de dirigir. Gente, se a locadora de veículos quiser cobrar por um "up grade" - dizem que todas fazem isso - não paguem porque você poderá escolher um dentre muitos modelos.
Saindo do aeroporto e guiados pelo GPS acionado por Maria Christina, nos dirigimos ao hotel Rosen Inn, na International Drive, principal avenida de Orlando, onde tínhamos reservado 10 diárias. No hotel, outro bafafá: a recepcionista disse que estavam com "overbooking" e não havia vaga, apesar de minha reserva ter sido paga há mais de dois meses. Bom, vocês não acreditam no escândalo que aprontei, em inglês, espanhol e português, em altos brados. Juntou gente - o hotel estava lotado - a grande maioria de brasileiros para saber o que estava acontecendo. O gerente que até então estava sentado e não tomara conhecimento de nossa situação, levantou-se alarmado e disse que nos mandaria para outro hotel da rede, melhor ainda - o Clarion Inn em Lake Buena Vista, perto da Disney. Diante da oferta me acalmei e liguei, a cobrar, para a agência de turismo no Brasil que fizera a reserva, para relatar os fatos e perguntar sobre o novo hotel, se era decente.  Disseram-me que sim, que era um bom hotel e a localização excelente. Peguei o endereço, não sem antes obrigar a recepcionista a telefonar para o Clarion Inn, confirmando a vaga. Este novo hotel, distante de onde estávamos, fica num local espetacular, em frente a  enorme outlet - Premium - rodeado de bons restaurantes e coffee shops e muito perto de Downtown Disney, onde estão os restaurantes e lojas dessa marca. O quarto, com duas camas de casal antigas, banheiro razoável, com micro-ondas, geladeira e cafeteira. Um duas estrelas, não mais que isso. Em compensação, enorme parking gratuito e café da manhã variado, estilo buffet, pagando um se ganhava um grátis. Ficava em conta.
Passamos o resto da tarde no outlet e à noite, voltamos ao aeroporto para buscar Helena, que chegaria às 22 h. Não percam o próximo capítulo que trata dos parques.

domingo, 22 de janeiro de 2012

ABOUT LUISAs E BBBs

Minhas considerações a respeito do Editorial do Jornal de Alphaville desta semana, muito oportuno, inteligente e bem colocado. Para quem não conhece o jornal, trata o Editorial do excesso de futilidades a encher diariamente a cabeça do brasileiro médio, tais como as dos últimos dias - uma tal de Luisa que estaria no Canadá, produto de um comercial banal e sem graça lá do Nordeste, e que se tornou uma celebridade da noite para o dia, inclusive na mídia. E o pretenso estupro que teria acontecido no BBB da Globo, ocorrência essa nada fútil, aliás, e que deveria interessar ao Ministério Público, inclusive com o cancelamento do programa. Mas quem tem coragem de enfrentar a Globo? 
Em resumo, levanta o Editorial uma dúvida a respeito do futuro de um país em que o povo, de cabeça vazia, se ocupa de banalidades e de fazer piada com tudo, ao invés de lutar pela melhoria da educação e da saúde, pelo fim da corrupção na política, etc. etc. etc. Carlos Nascimento, no jornal da Noite do SBT do dia 19/1 toca nessa mesma tecla. Está no YouTube.
São os tempos de bonança, digo eu. Esclareço melhor. Em tempos de crise, as pessoas afiam as garras e partem para a luta, porque o instinto primário de sobrevivência está ameaçado. Isto aconteceu durante anos e anos no Brasil que lutou contra uma ditadura feroz na política, contra uma inflação mensal monstruosa que cortava pela metade o salário de cada um no dia seguinte ao do recebimento, contra as políticas impiedosas, arrochantes e empobrecedoras impostas pelos países credores, então considerados ricos e pelo FMI, enfim contra mil e uma adversidades. E sobrevivemos. E sobrevivemos bem. Hoje o Brasil é uma das maiores economias mundiais, está relativamente imune à crise internacional, as desigualdades sociais se reduziram muito com o aparecimento de uma nova e numerosa classe média, ansiosa para consumir.
Muito há que se fazer. As desigualdades persistem, a extrema pobreza ainda existe para milhões de brasileiros, a educação e a saúdes públicas precisam melhorar e muito, etc.etc.etc.
Contudo, se olharmos os últimos 30, 40 anos, veremos que caminhamos e caminhamos bem, superando obstáculos na época considerados impossíveis. É por isso que continuo acreditando no progresso contínuo do país, porque a força e a persistência de seu povo são inegáveis, quando se faz necessário. 
Agora, em tempos de bonança, com governo estável, farto emprego, crescimento salarial constante,abundância de produtos, nada como desocupar a cabeça de preocupações maiores nas horas vagas. Embora um excesso de futilidades acabe por irritar pessoas mais focadas nos grandes problemas nacionais que ainda são uma realidade.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

TRISTE SURPRESA NO FIM DE 2011

Pois é, estava eu assistindo bem "relax" ao Jornal da Band no sábado, dia 31, quando Ricardo Boechat deu a notícia: "Faleceu ontem, na cidade de Gonçalves, em Minas Gerais, o jornalista Daniel Piza, aos 41 anos de idade, vítima de um AVC....."
Dei um pulo da cadeira, sem acreditar no que tinha escutado. Daniel Piza, do Estadão, era dos meus preferidos, senão o mais admirado. Jovem, bonito,inteligente,de uma cultura invejável para sua idade,combativo e inconformado, o que aliás, deve ter assimilado do mestre Paulo Francis, com quem muito aprendeu. E além de tudo, era um escritor talentoso, com vários livros publicados. 
Enfim, uma das grandes figuras do jornalismo brasileiro, com um futuro brilhante pela frente. Leitora ávida que sou, lia todas as suas colunas, blogs, ouvia a seus programas na Rádio Estadão-ESPN, principalmente as indicações literárias, sempre com muita precisão e bom gosto.
Mas, Daniel Piza se foi aos 41 anos de idade.Quanta injustiça a vida nos traz de quando em vez. Deixa vivos verdadeiros trastes que só prejudicam o país e leva embora prematuramente grandes talentos atuantes em suas áreas que muito ainda poderiam fazer para o bem do Brasil. 
Fica aqui o meu inconformismo pelo triste evento. E a saudade de seus textos, sempre inteligentes e bem focados. 

domingo, 1 de janeiro de 2012

PARA FESTEJAR O ANO NOVO

Após uma longa primavera sem nada postar, eis-me de retorno. Falta de assunto? Certamente não. Preguiça? Talvez. Mas principalmente uma tonelada de afazeres neste final de ano a dificultar uma brecha, mesmo pequena, para essa atividade que muito me agrada: escrever sobre algo.
Pois bem, ano novo, tempo novo! pois tempo é questão de preferência, como diria minha avó.
Vocês já perceberam que adoro escrever sobre viagens que faço, principalmente as exóticas, como a da Rússia, dos posts passados. Como não tenho viajado muito, resolvi tocar em outro assunto que muito me agrada. Os livros que leio. 
Sou uma leitora voraz. Adoro ler e tenho minhas preferências, é claro. Thrillers de espionagem, todos os Harry Potter, romances históricos, especialmente sagas de dinastias reais, de grandes personagens que tiveram a capacidade de mudar o curso da história e mesmo relatos casuais que se desenrolam em épocas passadas mas que retratam a moral, os costumes e hábitos e os preconceitos da vida quotidiana de então.
Acabei de ler "A Traição", thriller de espionagem de autoria de Chritopher Reich, autor nascido no Japão mas naturalizado americano. Dele, já havia lido "A Farsa", o primeiro de seus  livros que fez sucesso. Em geral, os textos de espionagem acabam caindo em clichês - o "bad guy" é árabe, está tentando roubar uma bomba nuclear para detonar em Nova York e quem vai impedi-lo é um detetive, em geral americano, bem inteligente e todo certinho.
Nesse que acabei de ler, "A Traição", os clichês também estão presentes - o "bad guy" é afegão fundamentalista que odeia os Estados Unidos e o vendedor é um traficante de armas de origem indiana mas que mora no Paquistão, onde comercializa milhões em armamentos para quem pagar seu preço. Contudo, o "mocinho" não é detetive e sim um médico idealista integrante dos "Médicos sem Fronteira" e que exerce sua profissão em países muitos pobres e carentes. Ao mesmo tempo, é louco por uma aventura. O personagem tem horror a tramas de espionagem porque foi casado, sem saber, com uma agente dupla, treinadíssima e mortal. Quando descobriu a identidade da esposa, já estava mergulhado até o pescoço na trama. Isso no primeiro livro, "A Farsa". No segundo livro, "A Traição", ele está clinicando no interiorzão do Afeganistão, quando é levado à força para operar um líder talibã e aí tudo começa de novo. 
O interessante do autor é que ele consegue manter o suspense durante o desenrolar da história, inclusive por meio de situações inusitadas e criativas. E o desfecho se dá nas últimas páginas, lógico. É uma leitura que recomendo a quem o assunto agrada. É preferível começar pela "Farsa" que bem descreve o retrato psicológico, meio ingênuo, do personagem médico com seus conflitos entre salvar vidas e matar pessoas visando a um bem maior, segundo a versão de encarregados das inúmeras agências internacionais de espionagem que interferem na história. Versão essa, muitas vezes, em desacordo com a realidade dos fatos,  como ele descobre depois.

sábado, 24 de setembro de 2011

Ainda Paris e a Novela dos Molinetes

Vocês sabem o que é um molinete? Para quem não sabe, molinete é uma carretilha com manivela que se fixa na parte lateral da vara de pescar. Por ela se lança o anzol na água e se puxa o peixe, quando fisgado, através da manivela. Velha conhecida dos pescadores.
Pois bem. Desde que chegamos a Paris, Celia, cujo marido é um grande pescador - inclusive no tamanho porque tem quase dois metros de altura - dizia que precisava encontrar uma loja onde pudesse comprar um molinete, de boa qualidade, para ele. Em nossos passeios a pé, sempre que passávamos por uma loja de artigos esportivos, ela entrava e perguntava. Mas nada, ninguém sabia. Se ele fosse tenista ou aficionado por golfe, teria sido mais fácil. Mas como Celia é persistente e não desiste nunca, aproveitamos o dia em que Luiza e Vera foram a Londres e após nossa visita ao Museu D'Orsay e um gostoso almoço nos Jardins de Tuilleries,  fomos à Galleries Lafayettes, notório centro de compras tão ao gosto dos brasileiros - aliás o prédio principal é magnífico com uma cúpula de cair o queixo - para ver se descobríamos uma loja que vendesse molinetes. Ao entrar, nos dirigimos ao balcão de informações e ao iniciar a pergunta (sempre a mesma) "você sabe onde posso encontrar artigos de....", a mocinha que nos atendia disse que podíamos falar em português porque era brasileira, de João Pessoa e trabalhava ali logicamente para atender à montanha de brasileiros que entram diariamente naquelas Galleries. Em resposta nos informou que poderíamos encontrar artigos de pesca somente na Decathlon e havia uma, não muito longe, nas proximidades da igreja da Madeleine.
Ora, Decathlon é a mesma loja que tem aqui em São Paulo e também em Campinas, mas acho que em Belo Horizonte não tem, porque Celia não a conhecia. Seguimos nossa caminhada pelo Bl. Haussmann, passando pela C&A, pela Zara (não entramos para não perder tempo)  pela imensa Printemps - onde fomos ao departamento de esportes, mas nada -,  pela Petit Bateau - loja estilosa de moda infantil mas um tanto cara - até que a uns oito quarteirões, enormes, de caminhada, chegamos à maravilhosa e imensa Église de la Madeleine, que tem a forma de um templo grego. Vocês sabiam que os franceses são um dos únicos, senão o único povo do mundo a homenagear Maria Madalena com uma belíssima igreja? Grande parte deles acha que ela foi efetivamente a esposa de Jesus.
Pois bem. Chegamos à Igreja pela parte de trás e iniciamos a caminhada ao redor da praça, à procura da Decathlon. Após muito andar, porque ela estava do outro lado, avistamos a loja, subterrânea, no início do Bl. de la Madeleine. Finalmente... será? Ao ouvir a famigerada indagação, a moça do caixa respondeu que artigos de pesca, nós iríamos encontrar somente na Decathlon da Av. Carnot, uma avenida que se inicia no Arco do Triunfo, do lado contrário aos Champs Elysées. Bem distante, portanto. Nos olhamos desanimadas e cansadas. Pelo menos agora sabíamos onde achar o produto, mas seguramente em outro dia, porque nosso estado de exaustão não permitia mais caminhadas. Para nos animar um pouco, bem à nossa frente, estava a famosa patisserie Fouchon, instalada na place de la Madeleine há mais de 100 anos. Lá encontra-se de tudo, chás, geléias, lindos doces, chocolates, pães de todo tipo, foie-gras para quem gosta - mais de 30 tipos - e também os calissons, deliciosos docinhos de amêndoa. Tem alguma coisa mais chic do que servir o chá em porcelana Limoges? Pois na Fouchon é assim.
Após esse intenso dia, retornamos de metrô ao hotel para um merecido descanso.

domingo, 11 de setembro de 2011

Rouen, a Capital da Normandia

Após o lindo passeio à casa e jardins de Claude Monet, em Giverny, rumamos para Rouen, capital da alta Normandia, às margens do rio Sena. Foi fundada no tempo dos romanos, sofreu muitas invasões bárbaras até que no seculo IX, após invasão dos vikings ou normandos, a cidade e toda a região - que passou a se chamar Normandia - passou para a posse dos conquistadores escandinavos, chefiados por Rollo, o primeiro duque da Normandia. Um de seus descendentes, William the Conqueror, invadiu e conquistou a Inglaterra, em 1066, lá iniciando a dinastia Plantageneta. E a Normandia passou assim ao domínio inglês até que foi reconquistada para a França por Felipe II, em 1204. A região voltaria ainda para o domínio inglês no correr da Guerra dos Cem Anos, ocasião em que foi aprisionada e executada Joana D'Arc, precisamente em 1431. Em meio a uma praça, está o local, apenas com uma tabuleta dizendo que foi lá que a heroína francesa foi queimada. E a data, ponto.
As construções possuem em sua fachada, quase todas, trabalhos em madeira, típicos da região. Vejam a foto.

Um dos cartões postais da cidade é o Grande Relógio - Gros Horloge - construído no século XVI em um arco sobre uma das ruas principais. Dentro existe um museu e uma escadaria de pedra, infindável, que não subimos.
Mas o mais impressionante é a imensa catedral gótica, cuja construção iniciou-se em 1145 e terminou apenas no século XVI. Ela é muito grande e muito bonita, com aqueles vitrais coloridos peculiares das igrejas francesas. Vejam.
Quando se entra, é difícil descrever a sensação de grandiosidade, que emociona e nos torna muito pequenos.
Enfim, foi um dia magnífico - Giverny e os jardins de Monet e Rouen, uma cidade francesa diferente. Recomendo a quem for a Paris e tiver um tempo disponível.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Os Jardins de Monet

Era um consenso entre nós quatro, mesmo antes de sairmos do Brasil, de que deveríamos visitar Giverny onde fica a casa e os famosos jardins que pertenceram ao pintor Claude Monet. A idéia inicial e mais econômica era irmos, durante a semana de nossa estada em Paris, de trem para Vernon e de lá tomaríamos um ônibus a Giverny. Na volta, pegaríamos novamente o trem, dessa vez para Rouen, a capital da Normandia e que não fica muito distante de Vernon. E à noite voltaríamos também de trem a Paris.
Acontece que, no dia anterior de nosso passeio, marcado para 5a. feira, Luiza e Vera iriam passar o dia em Londres, saindo de Paris pelo Eurostar às 6.30h da manhã e retornando por volta de meia-noite, horário de Paris - existe diferença de uma hora a menos no fuso horário entre Paris e Londres. Ou seja, iriam chegar de madrugada, cansadíssimas. Impossível cumprir a maratona marcada para o dia seguinte.
Lembrei-me então de uma empresa de brasileiros - a Conect Paris - que presta serviços de traslados e diversos passeios. Telefonei ao François - sorte que havia levado seu telefone - e por um preço bastante razoável por pessoa, contratei seus serviços para levar-nos a Giverny e Rouen no dia marcado. Grata surpresa. François é um jovem mineiro - portanto compatriota de minhas companheiras - filho de um francês que é professor titular de geologia da UFMG. De ótima aparência, educado, fino, paciente ao extremo, dirigindo uma van novíssima e linda. Saímos em torno de 8h da manhã e só retornamos às 9h da noite, um passeio magnífico. Quem se interessar pelo telefone e o e-mail do François é só pedir.
O que dizer da casa de Monet e seus jardins? Simplesmente que é um deslumbramento, um passeio inesquecível. Flores dos mais diversos matizes e variedades, a casa, muito bem preservada com móveis e quadros que pertenceram ao pintor. O tamanho das flores, principalmente das rosas, é surpreendente, nunca vi por aqui.

Lá está também o lago das nympheas, que inspirou um dos mais famosos quadros de Claude Monet.
Não é uma maravilha? Isso é apenas uma amostra, recomendo o passeio. Após almoçarmos em um restaurante campestre que François nos levou - a comida é ruim mas o lugar é lindo, com moinho d'água e tudo - seguimos para Rouen, que fica a uns 50 minutos de Giverny. Acompanhem no próximo post.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ainda Paris...

Não sei se já comentei aqui, mas morei na França por quase tres anos, entre l997 e 1999, não em Paris, mas na Côte D'Azur, em Villefranche sur Mer, uma pequena cidade logo ao lado de Nice, indo em direção a MonteCarlo. Nesse período, convivemos - éramos tres pessoas, meu marido, hoje já falecido, eu e minha filha mais nova, então com 12 anos - com algumas famílias francesas e com muitos expatriados, tais como italianos, alemães, americanos, que viviam na região. Dessa convivência, pude concluir que os franceses são um povo altamente disciplinado, discreto -  não interferem em sua vida e também não gostam que interfiram na deles -, um pouco desconfiado e preconceituoso em relação aos estrangeiros. Mas quando são amigos, são amigos em qualquer circunstância e ponto final. Os italianos, maldosos e falantes, diziam que os franceses eram alemães dissimulados, pelo excesso de regras a serem seguidas, mas tudo com muita discrição. É claro que fomos a Paris inúmeras vezes, tanto nesse período como em retornos posteriomente à volta ao Brasil. Sempre de carro porque meu marido adorava dirigir e percorríamos os 1000km - distância de Nice a Paris - em pouco mais de 10 horas de viagem. Paris sempre foi fascinante e por mais que lá se vá, sempre se quer voltar. Nunca é o suficiente.
Mas por que estou contando tudo isso? Porque era grande a minha expectativa em relação à nossa ida de agora, conforme descrevi no post anterior. A última vez que lá estivera, juntamente com meu marido e minha filha, fora em 2004, portanto há 7 anos. Muita coisa mudara? Não, não muito. Mas confesso que o que mudou, mudou para pior. A cidade está suja, meio abandonada, entupida de gente, apesar de ainda não ser verão, os garçons continuam mal educados - mas já era assim. Tres pontos, sobretudo, chamaram minha atenção. Primeiro, o metro, com trens sujos, velhos caindo aos pedaços, superlotados e desconfortáveis. Andamos em quase todas as linhas e as duas únicas boas, relativamente novas, são a linha 1, que atravessa o centro - Rivoli, Champs Elysées - e a linha 14 que vem da Biblioteca François Miterrand, passando por Bercy até a Madeleine, uma linha curta. Em segundo lugar, está a completa falta de respeito às faixas de pedestres, coisa inimaginável no período em que vivi na França. Naquela época, se você pisasse na faixa para atravessar, imediatamente todos os veículos, inclusive ônibus, motos, paravam e davam a preferência ao pedestre. Agora, quase fui atropelada por um ônibus ao tentar atravessar, na faixa, a Avenue de l'Opera e o motorista ainda me xingou, como se eu estivesse praticando uma contravenção. As motos, normalmente de grande porte, então, nem mesmo respeitam o sinal vermelho existente em algumas faixas, passam direto, o pedestre que se vire. Parece até que se está em cidade brasileira. E finalmente, o aumento expressivo de "sem tetos" nas ruas de Paris, espalhados por todos os lados, sempre acompanhados de cachorros que os franceses adoram. Ou seja, muita miséria exposta a céu aberto. Realmente, a crise na Europa é grave. Paris não é mais a mesma, mas ainda assim continua fascinante.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fiquei um tempão sem escrever porque viajei para Minas Gerais para visitar minha família mineira. Hospedei-me em casa de Celia, minha companheira de aventuras russas e participei da festa de 91 anos da mãe dela, minha tia e madrinha Dyla. Viajamos depois para Diamantina, no vale do Jequitinhonha, terra de Juscelino Kubistchek e de Xica da Silva, cidade com inúmeros eventos musicais e que merece um post especial.
Mas agora falaremos de nossa chegada e estadia em Paris por oito dias, após aquela saída atribulada de São Petersburgo descrita no post passado.
Fomos em quatro a Paris, Vera e Luiza chegaram mais cedo, Celia e eu chegamos por volta das 13h, hora local. Ana e Jose seguiram para Londres e depois para Oslo. Iriam fazer um tour pela Escandinávia. Encontramos Jean Louis, nosso motorista da empresa de traslado, que nos levou ao hotel All Seasons em Bercy. Após acomodação e um pequeno descanso, saímos em direção ao Cour St. Emilion para comer alguma coisa. O Cour St. Emilion é uma rua só de pedestres ladeada por edificações em pedra e tijolo, tipo armazéns e que originalmente abrigaram depósitos de secos e molhados. Hoje abrigam restaurantes, bares, bistrôs, lojas diversas em meio a muitas flores e portais de época. Parece que vc. volta aos anos 20 do século passado. Turistas estrangeiros dificilmente andam por ali, somente franceses, não só de Paris como do interior, porque a região está fora do circuito turístico. Vale a pena conhecer, é muito lindo. Quem vier de metro, pegue a linha 14 e desça na estação Cour St. Emilion, em frente ao lugar.
Aliás, todo o "arrondissement " de Bercy é excelente para hospedagem. Apesar de ser distante do centro turístico - Paris Est - é servido por duas linhas de metro, a 6 e a 14, que é a linha mais nova e mais bonita. Há bons hotéis, principalmente os do Grupo Accor, como Ibis, Novotel, All Seasons e está próximo à Gare de Lyon. Lá estão o Ministério das Finanças e o Palais Omnisports, onde se realizam inúmeros shows musicais, além do Cour St. Emilion, descrito acima. E por fim, para completar,  há ainda um belíssimo parque para um bom fitness matinal, antes da maratona de  passeios. Se vocês não se incomodarem em ficar longe do centro turístico, que tem hotéis caros em geral e nem sempre confortáveis, recomendo Bercy, um oásis na cidade.
Como era a primeira vez em Paris de minhas tres companheiras, fizemos aqueles passeios tradicionais, que todos conhecem, como Versailles, Montmartre, torre Eiffel, Trocadero, Champs Elysées, Notre Dame, Av. Montaigne, St. Germain, fomos ao Louvre e ao Museu D'Orsay, nauralmente, enfim tudo o que um turista de primeira viagem faz. Contudo, fizemos também um passeio que nem todos os turistas fazem mas que merece ser feito, magnífico e deslumbrante: os Jardins de Monet, em Giverny e depois Rouen, a capital da Normandia e cidade que queimou Joana D'Arc. Mas este passeio merece um post à parte.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O "sufoco" no Adeus à Russia

Havia chegado o dia da partida. Maria Lucia e Angelica voltariam para o Brasil, via Paris. Luiza e Vera iriam parar em Paris, pegando o mesmo voo. Celia, eu, Ana e Jose iríamos também a Paris, mas em um voo mais tarde. A maioria do pessoal do navio, que voltaria para o Brasil, saiu muito cedo, em torno de 4h da manhã, em vários ônibus com os guias. Nós quatro, juntamente com duas senhoras do Rio de Janeiro mais um casal que iria para Praga, fomos colocados em uma van com motorista russo, sem guia, com a instrução de descermos na primeira parada da van no terminal de embarque.
Acontece que, ao chegar ao aeroporto, a van foi impedida por um policial de acessar o terminal de embarque e foi direcionada para o estacionamento de veículos, onde o motorista descarregou as bagagens e nos deixou sem qualquer explicação. No meio daquela montanha de malas, todas pesadíssimas em virtude das inúmeras compras, olhamos em volta atônitos à procura de carrinhos para depositar a bagagem. Não havia. Vocês já ouviram falar de aeroporto que não tem carrinho de bagagem? Pois o de São Petersburgo é assim. Celia e Ana até tentaram achar algum, mas em vão. Decidimos então transportar todas as malas até a porta de entrada que não ficava longe, em meio a muitas risadas pela situação inusitada. Ao  chegar finalmente à entrada, depois de muitas idas e vindas carregando e vigiando as malas, topamos com uma policial troncuda, de cara enfezada e muito feia. Imediatamente as risadas cessaram. À nossa frente havia tres aparelhos de raio X ou seja, deveríamos colocar todas as malas e sacolas nesses aparelhos para entrar no aeroporto. Isso sem contar o monte de gente apressada em nossa retaguarda. Imaginem a cena: quatro pessoas, cada uma com duas malas grandes, fora bolsas de mão - Celia tinha tres malas, mas muito perita, encontrou um jeito de empurrá-las sem ajuda - dois de nós colocavam as malas no raio X e dois esperavam do lado de dentro para retirá-las. E por incrível que pareça tudo foi feito rapidamente para desafogar a fila, nem sentíamos o peso dos volumes, tal era o nervoso e a ansiedade que tomara conta de todos.
Passada a primeira dificuldade, era necessário encontrar o terminal de embarque. No andar em que entramos, embaixo, havia um grande painel luminoso de voos, escrito somente em russo, ou seja, sem chance de entendimento. Logo à esquerda do painel havia um elevador e uma escada por onde passavam dezenas de pessoas apressadíssimas. Postei-me ao lado da escada e fui perguntando aos passantes, "do you speak english?", ninguém atendia, até que uma mocinha, caridosa, parou e diante de minha pergunta sobre o terminal de embarque, disse-nos que ficava no andar de cima. Tínhamos que colocar aquela montanha de malas no elevador, pequeno, para subir, juntamente com outras pessoas, claro. Foram feitas muitas viagens, sobe-desce-espera, até que finalmente conseguimos levar tudo para cima. Lá chegando, um enorme saguão, com inúmeras filas de passageiros para embarque, como achar a nossa companhia, porque tudo também estava escrito só ... em russo. Por sorte encontramos as duas senhoras do Rio de Janeiro que tinham acabado de fazer o checkin e nos levaram ao respectivo balcão que por sinal não tinha fila. Era um alívio nos livrarmos daquela montanha de bagagem que havia sido arrastada desde o estacionamento lá embaixo.
Mas a novela não havia terminado. Após o exame dos passaportes, entramos em um espaço com novas máquinas de raios X e policiais, dessa vez falando inglês, nos mandaram tirar os sapatos que foram colocados em uma caixa juntamente com bolsas,casacos, cintos, relógios, aneis, passaportes, enfim tudo que se levava na mão. Depois de passar pela máquina, uma policial para as mulheres e um policial para os homens nos fizeram uma revista pessoal minuciosa, apalpando tudo e de todos os lados. Após a liberação, colocamos nossos sapatos, pegamos nossa bagagem de mão e demais acessórios e documentos e finalmente entramos na área de embarque. Ufa, que sufoco, tivemos que vencer inúmeras barreiras para pegar um avião e sair da Rússia. Próxima parada, Paris, uma outra história...

sábado, 23 de julho de 2011

São Petersburgo à Noite

Noite quer dizer madrugada, porque nesta época, em plena primavera, começa a escurecer a partir das 23.30h. Portanto, nossa excursão noturna partiu do navio mais de meia noite, quando não estava ainda totalmente escuro. O grupo em companhia de Dmitri passeou por lugares qua havíamos visto de dia, mas que à noite pareciam outros, com as luzes a pleno vapor. Mesmo assim, a cidade é menos iluminada que Moscou, um prodígio de luzes e enfeites noturnos comparável a Paris. Alguns prédios merecem destaque.
Vejam, por exemplo, como ficou lindo o Teatro Marinsky, antigo Kirov, sede do famoso ballet que todos conhecem e que está vindo por aqui.


E um prédio do governo ao lado do teatro.

Já falei aqui que São Petersburgo foi planejada e construída sobre 42 ilhas, todas ligadas ao continente por dezenas e dezenas de pontes, muitas delas levadiças. As mais bonitas, algumas lindamente trabalhadas em ferro, outras em madeira e ouro e outros metais,  estão localizadas sobre o Rio Neva, que liga o lago Latoga, o maior da Europa ao mar Báltico, que se abre a partir do Golfo da Finlândia. Essas pontes sobre o Rio Neva se levantam todos os dias a l.30h da madrugada, para que grandes navios cargueiros provenientes do interior da Russia, possam atingir o mar, passando pelo rio. É claro que ficamos para ver a abertura da mais bonita e também a ponte mias importante, que liga o continente à maior ilha. Vejam-na fechada.

E agora aberta.

Muito interessante e muito diferente de tudo o que temos por aqui. A Rússia é realmente um país que merece ser visitado. Infelizmente nossa viagem estava chegando ao fim e no último episódio russo, vou contar para vocês o "sufoco" que passamos no aeroporto de São Petersburgo no dia do embarque para Paris.

terça-feira, 19 de julho de 2011

"Versailles" Russos

Falo no plural porque os palácios visitados - a residência de verão de Catarina II, a Grande, em Pushkin que fica a 25km de São Petersburgo e os jardins do palácio de verão de Pedro, o Grande, à beira do Golfo da Finlândia, no mar Báltico -  são simplesmente esplendorosos, tão ou mais deslumbrantes do que o Palácio de Versailles, perto de Paris, conhecido de todos. É de cair o queixo a visão de tanto ouro, tanto luxo para uma só pessoa, apenas em uma residência, sem contar as outras. As palavras são insuficientes. Vou mostrar as fotos. Por fora,

E por dentro,



Gostaram? Isso é só uma amostra. Difícil mesmo é descrever nosso deslumbramento.
Agora, uma pequena amostra das ricas fontes e belíssimos jardins do palácio de verão de Pedro, o Grande, à beira do Báltico. Vejam.



Sem contar a emoção de saber que estávamos no mar Báltico, tão somente a 200 km da Finlândia - que distância desse nosso longínquo Brasil.
No próximo post, a excursão noturna por São Petersburgo com a abertura das pontes levadiças. Lindo. Não percam.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um incidente em São Petersburgo

Deixadas no centro comercial de São Petersburgo, Maria Lucia, Celia e eu, após darmos uma olhada por fora, na linda Igreja do Sangue Derramado, - vejam -


entramos em um Shopping composto por um hotel 5 estrelas e várias lojas de grife, tais como Tiffanys, Chanel, Gucci e outras. Além da vontade de conhecer esse luxuoso lugar, estávamos atrás de um bom banheiro. Logo na entrada, havia uma máquina ATM, com aparência de nova e moderna, mas tudo escrito em russo. Celia, com  intenção de fazer compras, resolveu sacar alguns rublos, moeda local. Colocou o cartão de débito na máquina, digitou a quantia, a senha, esperamos e nada..., nem dinheiro nem o cartão de volta. Apertamos diversos botões, alguns trancos, mas sem sucesso. O que fazer em um lugar onde só se fala russo? Meu coração acelerou, mas Celia estava incrivelmente calma. Como você consegue ficar tão calma, perguntei-lhe. Ah, tenho outro cartão, respondeu-me. Aí fiquei sabendo que o Banco do Brasil dava sempre dois cartões de débito a cada cliente, para prevenir eventos como esse. De qualquer forma, não podíamos deixar o cartão dentro da máquina porque poderia ser usado indevidamente por outra pessoa. Na Europa é comum a compra sem o uso da senha.
Ao me acalmar, lembrei-me que estávamos em um hotel 5 estrelas e teoricamente os empregados deveriam falar inglês. Dirigi-me ao bar ao lado, decoração luxuosa em madeira escura e localizei um rapaz jovem que parecia ser o gerente. A princípio, ele disse que nada poderia fazer mas foi indo em direção à máquina ATM. Pelo celular ligou para o número ali fixado e falou durante uns 5 minutos, em russo, tentando ao mesmo tempo fazer a máquina funcionar. Mas em vão. Disse-nos então que a companhia só viria no dia seguinte para abrir a engenhoca e que deveríamos ligar para o banco e bloquear o cartão.
Após agradecer-lhe, procurei o hall de entrada do hotel e perguntei a um jovem recepcionista onde encontraríamos cartão telefônico que ligasse para o Brasil. O jovem, muito educado, disse-nos que poderíamos fazer a ligação do business center do hotel, que ficava logo ao lado. Ao entrar no business center, encontramos uma mocinha muito bonita, mas com cara de assustada. Ao ser indagada "do you speak english?" ficou mais assustada ainda, mas disse que sim. Expliquei-lhe então que precisaríamos ligar para o banco do Brasil, no Brasil, para bloquear um cartão de débito que ficara preso na máquina ATM. A ligação por minuto ficava bem cara - logico era um hotel 5 estrelas - mas o que fazer, era necessária. Ela fez a chamada e Celia conseguiu, com sucesso, bloquear o cartão preso na máquina. Maria Lucia também reclamou que seu cartão não funcionava e a atendente do banco fez lá uns procedimentos.
Enquanto elas falavam ao telefone,  puxei conversa com a mocinha assustada, contei-lhe nossas aventuras, perguntei-lhe onde era a toilette - nessas alturas tínhamos até esquecido -, disse-lhe que as moças russas eram muito bonitas e simpáticas e ela foi relaxando, até sorriu um pouco. Ao final do telefonema, mais ou menos uns 10 minutos, perguntei-lhe quanto era. Ela fez um gesto de nada e pos a mão nos lábios em sinal de silêncio, sorrindo. Ou seja, conseguimos fazer uma chamada internacional de um hotel 5 estrelas... sem pagar nada. Agradecemos muito e saímos.
Um traço do povo russo, já tinha notado. Rude e zangado na aparência, mas muito solidário e emocional no íntimo.  Qualquer agrado o comove e se você estiver em apuros, ele se desdobra para ajudar, mesmo com a dificuldade de comunicação. O contato pessoal com povos estranhos e desconhecidos para nós é realmente  emocionante.
A seguir, tomamos um bom capuccino para relaxar do stress, fizemos algumas compritas e voltamos para o navio, porque ao escurecer - isso lá pela uma hora da manhã - faríamos uma excursão noturna para ver a abertura das pontes. Mas isso é uma outra história...